Todo começo de ano vem carregado de promessas, você já até sabe do que eu estou falando. Hábitos novos, resoluções de ano novo, listas e mais listas para dar check.
Mas, com o tempo, em poucos meses e quem sabe semanas, muitas dessas promessas viram frustração. Não porque você não é capaz, mas porque tenta mudar tudo de uma vez, ignorando o próprio ritmo.
Para esse 1º post do blog do ano eu quero dedicar a uma ideia simples, mas que eu já estou praticando tem um certo tempo: progresso não acontece na agilidade.
E isso vale para hábitos, para resoluções e para a forma como escolhemos viver nossos ciclos.
Rotina só funciona se é construída
Vamos falar de sono, por exemplo.
Muita gente decide que vai “dormir cedo e acordar cedo” do nada, mas se você dorme às 2h da manhã, seu corpo não entende uma mudança brusca. Ele resiste.
O que funciona é a progressão. Hoje, ir pra cama por volta de 0h, amanhã experimentar ir às 23h30, e ir subindo esse horário até o horário que você deseja. Por exemplo, eu gosto de ir pra cama por volta das 22h.
Sem guerra interna, o corpo aprende por repetição e quando você faz isso dando segurança a si mesma, a jornada e a experiência se tornam mais leves e tranquilas de serem executadas.
E isso tem tudo a ver com o ciclo menstrual: cada fase pede um ritmo diferente. Há momentos de mais recolhimento, outros de mais ação. Quando respeitamos isso, a rotina deixa de ser um peso e e se ciclo também deixa de ser aquele caos e sofrimento.
Voltar também é um movimento válido
Outro exemplo: o ciclo das sementes.
Talvez você tenha parado, talvez tenha tentado voltar “do jeito certo” e desistido de novo, mas e se você fizer diferente?
Se só tiver uma semente da fase em casa, começa por ela. Não é sobre fazer tudo certinho, mas sobre sinalizar para o seu cérebro que quem está no comando voltou a ser você.
O hábito se reconstrói assim: com pequenos e possíveis passos, é o mesmo princípio do ciclo: não existe fase perfeita, existe o que você consegue fazer para deixar ele mais leve nesse momento. No próximo ciclo você vai e melhora mais um pouquinho.
Parar de querer pertencer ao que te desgasta
Uma das resoluções mais importantes que coloquei em jogo em 2025, e que levo comigo para 2026, foi essa:
Parei de tentar pertencer a lugares, pessoas e situações que não me apetecem, só para fazer parte.
Isso não acontece de um dia para o outro, eu ainda me vi, muitas vezes, pensando: “eita… vim parar aqui de novo.” Mas a diferença é que hoje eu percebo, e muitas vezes, consigo sair.
Isso já é prática, é treino, ninguém nasce pronto, e se a gente não aceitar que tudo é treino, nunca cria espaço para o novo. Lembra daquilo que amo dizer e praticar no dia a dia: Seja ruim em algo novo.
O ciclo menstrual ensina isso com clareza: todo mês, você tem outra chance de ajustar, observar e responder diferente.
Resoluções não precisam morrer, podem evoluir
Uma das coisas mais úteis que você pode fazer agora é olhar para a lista de resoluções do ano passado.
Agora se pergunte, mas sem culpa, sem pressão, vamos levar isso como uma investigação de nós mesmas, ok?
O que eu já comecei?
O que está em andamento?
O que faz sentido continuar?
Talvez você não tenha chegado ao objetivo final de nenhuma das suas resoluções do ano passado, mas já foi criando a nova lista desse ano. O que sugiro, FOR-TE-MEN-TE, é que você não apague o esforço que já foi feito.
Pensa nisso como uma segunda temporada da sua vida.
Não precisa achar que tem que recomeçar do zero, não precisa esquecer o que funcionou só porque ainda não chegou no objetivo final. No ciclo, nenhuma fase invalida a anterior, todas dão seguimento e semeam o caminho da próxima que está chegando.
O que realmente muda tudo
O ser humano é mutável. A gente se adapta com mais facilidade do que imagina, mas adaptação só acontece quando há decisão e uma ação.
Nesse caso, não estou falando daquelas promessas de transformação de vida em 30 dias.
Estou falando das decisões maduras que tomamos, de uma organização de longo prazo e de ações que vão respeitar quem você é, seu ciclo e sua agenda de mulher adulta.
Por isso, meu convite para esse começo de ano é simples: não tente virar outra pessoa, não tente viver no ritmo de alguém que não é você. Escolha um passo possível. E depois, repita-o… Observe, ajuste durante o caminho.
Se comprometa com o básico bem feito.
É assim que tenho feito minhas mudanças deixarem de serem promessas.
Um ciclo por vez.